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Imagem da mulher na mídia hoje e como isso nos afeta

 

Você acompanhou tudo sobre a exposição de fotos da Ov, mas tá aí pensando: em termos práticos, aonde a gente queria chegar com isso, não é? Estamos aqui pra te contar que o que nos motivou é bem mais profundo do que podemos mostrar nas fotos.

Entrevistamos Carolina Dias, psicoterapeuta do Instituto ComSentir, parceira nessa jornada e em todo o novo processo de reflexão e mudança da Ov. Juntamente outra psícóloga do instituto, foram as principais responsáveis pelo toque afetivo de toda a nossa companha, e que fez toda a diferença para que pudéssemos lançar uma linha de peças verdadeiramente inclusiva (clica aqui pra conhecer ♥).

 

Qual o impacto da forma como a mulher ainda é retratada na mídia hoje?

 

Em algum grau, todas as mulheres são impactadas pela visão social normatizante de seus corpos, que é refletida na mídia. O que se coloca como bonito nos dias atuais é o magro, o sem dobras, as poucas curvas.. Isso acarreta no fato de que a grande maioria das mulheres no mundo todo tem dificuldade em se sentir linda, confortável com seu corpo e desejável. Importante esclarecer que nem todas as pessoas serão igualmente impactadas, pois o grau de impacto dependerá das suas características de personalidade, história de vida e do que está vivenciando naquele momento; mas é preciso entender que a maneira como as mulheres gordas são representadas na mídia, implica em colocá-las nesse papel de comicidade ou de invisibilidade. Tudo isso, ao longo de uma vida, produz efeitos que podem levar a pessoa a não se sentir merecedora de ter uma vida sexual ativa “normal”, assim como as mulheres magras. A gordofobia aliada ao machismo e a cultura patriarcal provoca efeitos, muitas vezes, devastadores nessas mulheres.

 

Cochilo no ensaio “Toda mulher tem uma história pra contar” usando a Calcinha Joana

 

Então, além de afetar a auto estima isso afeta também a sexualidade da mulher?

 

Sim, todas as mulheres são impactadas por esse padrão de beleza ideal inatingível que nos é imposto cotidianamente, mas para as mulheres gordas é muito provável que seus efeitos sejam ainda mais intensos. Reflete toda uma construção da ideia de não é possível ser sensual com aquele determinado tipo de corpo, não conseguem ver possibilidade de se enxergar a partir dessa perspectiva, logo não há um repertório de comportamento voltado ao “ser/estar sexy”. Em uma sociedade que preza pelo magro e condena o gordo, a principal dificuldade de mulheres plus size no que diz respeito à aceitação de seus corpos e de sua sexualidade reside em se aceitar e se sentir aceita pelas (os) parceiras (os). A auto estima é construída dia a dia, e para essas mulheres que sofrem com preconceitos – muitas vezes disfarçados de cuidado e preocupação com a saúde – é uma tarefa ainda mais difícil manter-se constante nessa jornada de auto amor.

 

E de que forma isso atinge essas mulheres?

 

A sexualidade de mulheres acima do peso, em geral, é retratada na mídia como algo cômico, caricato. Quando não é vista como piada, a sexualidade de mulheres gordas em filmes e séries é inexistente. Isso impacta a visão que essas mulheres têm de seus próprios corpos e desejos. Dada essa representatividade falha, há uma dificuldade maior por parte das mulheres plus size em se conectarem com sua sensualidade.

 

Suelen no ensaio “Toda mulher tem uma história pra contar” usando a Calcinha Joana

 

Podemos mudar essa realidade?

 

São muitos os obstáculos colocados para que tenhamos um desenvolvimento de autoimagem saudável e que corresponda com as nossas exigências internas e particulares e com as exigências do mundo exterior. A autoimagem pode ser definida como a visão que temos de nós mesmos, o nosso “retrato mental” baseado em experiências passadas, vivências e estímulos presentes e expectativas futuras. Inclui a forma, o tamanho, as proporções do nosso corpo, nossos sentimentos em relação a ele e suas partes segundo nossa avaliação. A aquisição dessa autoimagem se dá por aprendizagem ao longo do crescimento e desenvolvimento das pessoas. Assim, a avaliação que cada um faz de si surge a partir da avaliação que os outros fazem de nós.

 

E de que forma podemos desenvolver um outro olhar nós mesmas ou sobre outras mulheres?

 

É necessário desconstruir a ideia segregante de que existe um padrão único do que é belo, incentivar a auto aceitação, promover uma conscientização sobre como o culto ao corpo perfeito arruína nossa autoestima e autoimagem e culmina numa crescente onda de adolescentes meninas cometendo atos de autoflagelação, e recorrendo a comportamentos que caracterizamos no espectro dos transtornos alimentares como anorexia e bulimia. A psicoterapia pode ajudar-nos a compreender como está autoimagem foi formada ao longo da minha história de vida. Porque eu me vejo desta e não daquela maneira? Como posso repensar e desconstruir isso? Mas também é de extrema relevância que outros setores da sociedade, como a moda, abracem essa ideia! Por isso, a nova cara da Ov também é tão essencial e importante.

 

Brenda no ensaio “Toda mulher tem uma história pra contar” usando a Calcinha Joana

 

Atenção, Ovelha! Se você sofre com alguma das questões que apontamos acima, as psicólogas do Instituo ComSentir estão abertas pra te ajudar. Você não precisa fazer isso sozinha, viu? O contato delas segue no final da matéria. Vamos juntas? 🙂

 

Carolina Dias

Psicóloga do InstitutoComSentir

(41) 98850-6371

[email protected]

www.comsentir.com.br

@comsentir

 

Fotos: Mariana Quintana

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