Sexualidade, gênero e liberdade | Ovelha Negra Underwear

Sexualidade, gênero & liberdade

Dia 31 de março foi o dia internacional da Visibilidade Trans e nós, aqui do Blog da Ov, procuramos entender melhor algumas nomenclaturas importantes sobre sexualidade e gênero, que ajudam a trazer mais empatia e respeito pra forma como enxergamos essa data. Compreender isso pode até mesmo ajudar na forma como vemos a nós mesmas, nossas vontades e compreensão acerca da nossa própria sexualidade, e quem nos ajudou nesse processo foi a psicóloga Carolina Dias, do Instituto ComSentir. Ela explicou um pouquinho de como podemos compreender alguns termos e ter um olhar de mais amor, conosco e com xs outxs. Vem com a gente? ♡

 

 

Blog da Ov: Em termos de gênero, como entender onde eu me encaixo e quem sou eu se estou em dúvida? Sensações relacionadas a sexualidade e gênero podem ser mutáveis?

          Sim, a minha relação com a minha sexualidade é sempre mutável! Vamos pensar a sexualidade como uma característica de personalidade, por exemplo. Nossas características de personalidade são sempre mais ou menos estáveis, porém determinadas coisas e reflexões acontecem em nossas vidas que fazem com que a gente mude aos pouquinhos. Você não é a mesma pessoa hoje que era há 8 anos atrás, correto? A sexualidade também pode mudar… É só pensarmos em como a nossa relação com nosso corpo, o corpo do outro e o sexo em si mudam com o nosso crescimento e ao longo da vida adulta, aí fica fácil de entender o conceito da sexualidade como algo mais fluído do que estanque.
          Partindo da premissa de que a sexualidade é algo mais fluído e que a identidade de gênero e as características atribuídas a eles são criações sociais impostas e compulsórias, devemos também problematizar nossa propria necessidade de nos estigmatizarmos. Muitas vezes surgem dúvidas no consultório no sentido: “sou menina e beijei outra menina numa festa. E agora sou lésbica?”.
Se passamos a entender que cada pessoa tem uma relação diferente com seu corpo e sua sexualidade, e permitirmos que cada um se expresse da forma como se sente melhor, sem amarras e imposições, não há a necessidade de definir-se como CIS/TRANS, HETERO/BI/HOMO. O mais importante num primeiro momento de dúvida não é tentar se encaixar em uma categoria, mas permitir perceber-se sem culpa!

 

 

Blog da Ov: E o que significam cada um dos termos: expressão de gênero; orientação sexual; agênero; cisgênero; gênero fluido; transgênero; crossdresser; drag queen; não binário?

Vou começar por Identidade de Gênero. Em termos simples, a identidade de gênero é a percepção que uma pessoa tem de si como sendo do gênero masculino, feminino, como sem gênero/agênero (por não se identificar com nenhum gênero), ou de alguma combinação dos dois (não-binário), independente de sexo biológico. Trata-se da convicção íntima de uma pessoa de ser do gênero masculino (homem) ou do gênero feminino (mulher), ou outros. A identidade de gênero da pessoa não necessariamente está visível para as demais pessoas.
O que fica visível para os demais é a expressão de gênero, que é como a pessoa manifesta publicamente a sua identidade de gênero, por meio do seu nome, da vestimenta, do corte de cabelo, dos comportamentos, da voz e/ou características corporais e da forma como interage com as demais pessoas (aqui também posso incluir o feminino, o masculino o agênero (sem gênero) e o não-binário – que não se limita a masculino ou feminino).
Lembrando que a expressão de gênero da pessoa nem sempre corresponde ao seu sexo biológico. O indivíduo que tiver uma expressão de gênero diferente do gênero socialmente atribuído a ele será chamado de crossdresser. A diferença entre crossdresser e dragqueen, é que o segundo estará ligado a uma expressão artística, e o primeiro não.
Quando a identidade de gênero condiz com o sexo biológico, chamamos de cisgênero e quando não condiz de transgênero.
Já a orientação sexual estará ligada a quem o indivíduo sente-se sexual e afetivamente atraído, podendo ser: heterossexual/heteroafetivo, homossexual/homoafetivo, bissexual/biafetivo e até pansexual que denota aquele que se sente atraído por pessoas, independente do sexo biológico ou identidade de gênero.
Por fim, há pessoas que se identificam com aspectos sociais de mais de um gênero em momentos diversos de suas vidas. Ou seja, na prática, o indivíduo pode se sentir mulher em algum momento, homem em outro ou até “flutuar” por outras identidades de gênero, como agênero. A isso chamamos de gênero fluido.

 

 

Blog da Ov: Como podemos ter mais empatia com os outros e conosco? Como ser mais gentil com nossas dúvidas, nossas vontades? Dentro da realidade de cada uma de nós, como podemos ser mais livres e seguras sobre nossos sentimentos e expressões?

Primeiramente, devemos começar por nossas crianças. Devemos lutar para não reproduzir em nossos pequenos tais estereótipos do que é ser homem ou mulher em nossa sociedade e nos focarmos mais em desenvolvermos seres humanos que respeitem as diferenças, que sejam menos preconceituosos do que somos. Só assim conseguiremos com que eles façam o que nossa geração ainda luta para conseguir: o fim da violência de gênero, seja ela contra a mulher ou contra a população LGBTTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersex).
Acredito que a chave esteja aí, em aceitar que o diferente existe e que o categórico é ultrapassado! Só dessa forma estaremos mais propensos a sermos mais gentis com os outros e com as nossas próprias contradições, sem sentirmo-nos obrigados a responder a um determinado padrão de como ser ou portar-se, e nem culpados quando fazemos algo por nós sem considerar o que o resto do mundo teria a dizer sobre isso. Aí sim, poderemos nos expressar e sentir da forma como realmente gostaríamos, sem nos prendermos a todos os momentos as amarras sociais que nos são impostas.
Atualmente, em nossa sociedade, ainda reproduzimos e ensinamos para as nossas meninas e meninos um modelo ideal de mulher/homem. A menina desde cedo é incentivada, pela mídia e os brinquedos infantis, a buscar um padrão de beleza perfeito, tendo seu corpo como objeto de consumo e a valorização excessiva do uso de sua sexualidade. Um grande exemplo disso são as bonecas e princesas de desenhos que já vem maquiadas e com corpo de adultas. Além disso, nunca deixamos de ensiná-las a serem coadjuvantes em relação aos homens, afinal “por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher”.

           Ensinamos também a elas a esperarem pela salvação do príncipe encantado (com os desenhos infantis) e que chorar e ser frágil não são apenas características permitidas, mas desejadas, assim como passividade, delicadeza, “ter modos”, serem carinhosas, prendadas em tarefas domésticas, e proibidas de terem interesse sexual. Só assim, estarão aptas a atraírem o homem perfeito e viverem felizes para sempre. Às vezes até as levamos de vestido a festinhas de aniversário e pedidos para que não fiquem correndo, se sujando e nem desçam o escorregador com as pernas abertas. Impedimos nossas meninas de serem crianças, de brincarem como crianças, e assim sexualizamos seus pequenos corpos ainda muito cedo.

          Já aos meninos ensinamos diferente. Eles não podem ser carinhosos e demonstrar seus sentimentos, pois “homens não choram”. Criamos homens “insensíveis”, mas não porque não sofram, mas porque se tornam incapazes de comunicar seu sofrimento e lidar com conflitos de forma saudável. Além disso, eles devem ser fortes, inteligentes, competitivos, corajosos (sem medo), gostarem de lutar e brigar, namoradores e sempre disponíveis sexualmente, como super-heróis! Ensinamos aos nossos meninos que o modelo de masculinidade é ser machista, violento e menosprezar as características que se contraponham a essas que lhes ensinamos, ou seja, àquelas que incentivamos em nossas meninas.

          Todas essas características geralmente são tomadas como algo natural de cada gênero, mas na verdade são preceitos da moral vigente em nossa sociedade e nesse momento histórico que são ensinadas a cada um de nós desde criança, e passam a servir de cobrança como padrão a ser alcançado. Não atingir esse padrão costuma trazer muito sofrimento, fazendo com que a pessoa se sinta menor do que os outros, um fracasso. Porém sentir-se obrigada a responder a ele também traz sofrimento quando não condiz com o que aquela pessoa gostaria de estar vivenciando realmente.

          Muitas vezes as pessoas negam seus desejos e ambições para responder às expectativas alheias sobre elas. Essas expectativas nem sempre são explícitas nas falas dos outros, mas muitas vezes se refletem em cobranças “internas” quase que “inconscientes” para seguir determinado padrão previamente estipulado pelo social e que elas aprenderam ser o certo. Como passam a ver certos comportamentos, desejos e formas de pensar como errados, apenas passam a suprimi-los, silencia-los e negá-los, o que impede muitas vezes de se conhecerem, encontrarem um caminho próprio que as faça feliz, e de problematizar o como esses (pré)conceitos trazem amarras que deixam-nas desconfortáveis em ser quem são.

 

 

Se você curtiu essa matéria e quer tirar dúvidas ou conversar com a gente, sinta-se a vontade pra mandar mensagem aqui no site mesmo ou em quaisquer redes da Ov! Também estamos planejando uma live no nosso instagram com o ComSentir, fica de olho 🙂

 

Carolina Dias é Psicóloga do InstitutoComSentir

[email protected]

www.comsentir.com.br

(41) 98850-6371

@comsentir

 

Maria Eduarda Malucelli para o Blog da Ov

 

Leia mais: Retrospectiva 2017, um ano feminista

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